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Terça-feira, Junho 28, 2005
FUNK É FODA
Por Mozart Werther
O sexo e a violência sempre estiveram presentes na música pop. De Madonna até MV Bill, a classe pobre sempre esteve privada disso, por que ir a shows e comprar álbuns sempre foi e ainda é muito caro. A fim de mudar isso, surge o funk, música dos pobres e dos sem cultura. Quando você ler: ¿Eu só quero é ser feliz/ Andar tranquilamente na favela onde eu nasci/ E poder me orgulhar/ Que pobre tem seu lugar¿ você se transporta para 1993, onde o funk tinha se tornado gosto nacional, com ajuda do DJ Malboro e da Furação 2000, a população da favela carioca estava fazendo música, de baixa qualidade pode-se dizer. Os MC¿s (mestres de cerimônias) lotavam casas de shows com milhares de pessoas. Inicialmente, a violência tinha (e ainda tem) cadeira cativa nos bailes, já que as letras falam que uma tapinha não dói ou coisa parecida, parece bobagem, mas... Juntamente com a violência, o sexo e as drogas tornam a imagem dos funkeiros um lixo. A Furação 2000 ganhou muito dinheiro com o funk, a Mãe Loira era como uma deusa pros funkeiros e até seu filhote, Jonathan participou da farra, mas brigas entre o casal funk, fizeram uma rachadura na Furação 2000 e com isso uma enormidade de problemas na produção de álbuns e artistas novos. A Furação sofreu com a separação. Isso significou um obscurecimento do funk. Vários ¿artistas¿ queriam estar no meio dos funkeiros, Alexandre Frota e suas gostosas, a Bandida e a Ninja, o Latino e um sem número de ¿estrelas¿ do movimento. Tachados como marginais ignorantes e sem cultura, adoradores e ouvintes de uma música sem conteúdo algum, o público desse gênero só tem aumentado. A cada álbum (se é que se pode chamar assim), os funk têm angariado mais e mais fãs, os discos têm presença marcante nas barraquinhas de piratas, coisa bastante semelhante com o Brega paraense, não só na vendagem, mas os letristas de ambos os movimentos tratam a mulher com objeto e fazem do sexo uma coisa banal, irresponsável e desimportante. Assim como os outros do canário pop, o funk tem divisões, isto é, depende do MC do baile. O Charme é romântico e de balanço lento, o Funk Melody como já diz é melódico, mas com traços latinos, o Neurótico é parecido com o Hip Hop, suas letras versam com a realidade da favela e, por último Proibidão que faz apologia à violência e referência ao sexo e as drogas. O funk voltou com força total quando Tati Quebra-Barraco e sua trupe de funkeiras dominaram o mercado, coisa bastante surpreendente, já que no início o movimento não admitia mulher nos vocais, sabendo desta burrice as gravadoras investiram bastante nestas ¿promessas¿ pro movimento, os bailes funk cariocas estavam lotados e divertido multidões. Tati Quebra-Barraco tem letras ambíguas e Monique Furação, garotinha de 13 aninhos, canta em Melô da Safadinha: ¿Não sou cabeleleira, mas comigo tudo pode/ Faço braba e cabelo, e não esqueço o bigode. São figurinhas marcadas em quase todo o baile funk. MC Serginho e a Lacraia, a antiga Furação 2000 (programa exibido pela Band, nos domingos de manhã) e uma infinidade de discos lançados no Brasil e no mundo, fazem do funk um movimento bastante divulgado. Aparecem em matérias do New York Times e Village Voice, em uma de suas matérias sobre a música brasileira, o New York Times traduziu o nome de Tati Quebra-Barraco como Tati Broken Home, destruidora de lares? Ela se defendeu, e achou bastante engraçado, pois ela por incrível que pareça é casada e tem 3 filhos, ¿talvez o jornal não entendesse a brincadeira que faço com o Quebra-Barraco¿ Afirmou ao tomar conhecimento sobre a tradução. O público do funk vai desde popozuda e turbinada até os maurícios/ patrícias, clubbers e claro os alternativos. Com o apelo pobre e de mau gosto, o funk subjuga a inteligência do ouvinte e infelizmente tem alcançado tanto sucesso que influencia bandas como o Tetine. A dupla formada pelo mineiro Bruno Verner e a paulista Eliete Mejorado, lançou Bonde do Tetão, o álbum surgiu depois que eles organizaram a coletânea Slum Dunk Presents Funk Carioca, com o repertório do programa que comandam na Resonance FM. O Bonde do Tetão tem uma homenagem a funkeira Deise Tigrona na música ¿Ai Amor, Me So Honey¿. Eu particularmente fui contra a resenha deste álbum no post anterior, mas como gostar de funk hoje em dia é cool, cult e alternativo, eu prefiro a canjica. Se funk fosse bom, não tinha menininha por aí torcendo o joelho, porque estava dançando funk numa rádio pirata escondida no quarto.
Pra saber mais:
Batidão: Uma História do funk. Do jornalista carioca especializado em música Silvio Essinger, da Editora Record.
Editores: Calvin & Mozart, às 08:19
[Comentários]:
Terça-feira, Junho 14, 2005
TRÊS GRITOS E UM ENGASGO:: (Tetas, ovins, new chiefs e Beck).
por Calvin Curtis
TETINE :: Bonde do Tetão
Depois de se transformarem em uma espécie de alt-electro da música eletrônica brasileira, o casal paulista-londrino conquista novamente as pistas com suas viagens fashion-fetichistas. Se aprofundando nas batitas funk do Rio, a dupla aciona o fator sexo que deixa Miss Kittin apagada. O Tetine consegue trazer esta catarse do funk misturando ao seu electro-rock primal e elegante. Jogação imediata.
(Nota: 8,0)
FOO FIGHTERS :: In Your Honor
Dave Ghrol, o proto-cool do rock conseguiu tornar a sua banda algo assimilável entre a ordinary people das FMs. Entre as megas, conseguiu figurar-se entre aqueles que estacionam no "aquilo de sempre" e continum a lotar estádios. Suas guitarras meio acústicas, meio pesadas, não acresentou nada de novo ao que a banda já mostrava. Mas o disco não é ruim, apenas é um desperdicio fazer um álbum duplo quando não se tem nada a dizer.
(Nota: 6,0)
KAISER CHIEFS :: Employment
Outra banda a despontar no fuzuê retrô que se encontra hoje, o Kaiser Chiefs decalca o Devo e Talking Heads no chamado neo-new wave. Suas músicas cumprem bem o papel de transportar para festas modernas, o clima de bandas oitentistas. Aliás 6 das 12 faixas foram produzidas por Stephen Street, o guia que levou os Smiths à glória do rock. Com um debut bem feito à moda das bandas hype, o único ponto fraco são algumas músicas que soam como um Super Furry Animals ruim!
(Nota: 7,0)
BECK :: Guero
Você que não reconhecia o Beck desde Midnight Vultures, quando após este disco, o garoto-prodígio passou a viajar na maionese entre MPB's, baladas folk deprês e discos obscuros. Agora, Beck Hansen se reencoontra no estilo que ele criou e que o tornou um ícone no rock alternativo. Todos os elementos do seminal Odelay estão neste álbum. O cinismo caipira de "Farewell Ride" com suas várias viradas de guitarras, o rap preguiçoso de "Hell Yes", sem falar de "Girl", a melhor música do disco e uma das 14 ótimas razões para apostar Guero como disco do ano.
(Nota: 9,0)
Editores: Calvin & Mozart, às 10:36
[Comentários]:
Sábado, Junho 04, 2005
O HYPE É DELICIOSO... OU COMO SER COOL É SER URGENTE
Por Calvin Curtis
Ser o "status cool" do momento não é só estampar a capa de revistas
descoladas, receber 5 estrelinhas dos maiores críticos do mundo é ser
comparado a grandes nomes do reinado pop com o Cure. Para ser a
próxima grande coisa do circo pop, é preciso ter no mínimo de atitude
e saber ser criativo em se aproveitar ao máximo do legado deixado
pelos figurões nas últimas décadas.
E isso o Bloc Party soube fazer bem. Na grande pressa em que vive o
rock, poderíamos dizer que o grupo é a sucessão do Franz Ferdinand ¿
um grupo que não completou um ano desde seu disco de estréia. Aliás, o
Bloc Party começou a carreira abrindo shows do Franz Ferdinand no
currículo de shows do Norte. Mas são tão inúteis as razões pelas qual
a banda tornou-se pauta principal em inúmeras publicações; por isso o
Bloc Party fez sua estréia Silent Arm, com despretensão tamanha
que conquistou pistas e shows por aí. Quem ainda não dançou "Banquet"?
Formado em 2002 nos EUA, a banda é liderada pelo atual papa cool, Kele
Okereke. Existem inúmeras listas e fóruns que apontam Kele como uma
das pessoas mais cool da estação. (e aviso aos indies, à banda pode
vir este ano para o Brasil, ainda bastante acessa).
Adeptos do chamado neo-new wave, estilo que se apropria dos vocais
amargurados-alegres e guitarras com eco, de bandas dos anos 80 como o
Cure, o Bloc Party acabou sem querer, sendo o principal representante
do "movimento". Cumprindo com notas máximas todas as influências e
caracteristicas do nova onda retrô que varre o imaginario rock atual,
a banda aposta tudo na embalagem; roupas, clipes, entrevistas. No ano
passado já tinham lançado um EP, que já possuía a estourada Banquet e
que os fez estourar em festas descoladas. Abrindo com "Like eating Glass", a
banda mostra que o rock cada vez respira novos ares. As primeiras
faixas de Silent Arm são um convite descarado ao hedonismo,
dançantes, pujantes. Suas guitarras possuem personalidade, pontuam
todo o disco com em "Positive Tensions" e a já citada "Banquet". Por
um momento parece que estamos ouvindo um Robert Smith mais alegre. O
Bloc Party é a banda - ao lado do Interpol ¿ que soube utilizar de
modo inteligente o estilo e o som de bandas oitentistas sem parecer
uma recauchutagem. Como um jato em queda, o desespero contagiante e as
batidas urgentes do início dão lugar a um marasmo dark no final. Mas
até entre elas encontramos perolas como "Luno", com seu baixo veloz e
vocal abafado. Bloc Party não tem ares de uma novidade incendiaria e
talvez seu hype não vingue, mas quem terá interesse de discutir isto
depois de Silent Arm?
BLOC PARTY:: Silent Arm
Nota:: 7,5
Editores: Calvin & Mozart, às 12:30
[Comentários]:
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